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Delegada plantonista em Votuporanga está entre as "dele gatas" da região

Delegada plantonista em Votuporanga está entre as "dele gatas" da região

Publicado em: 11 de outubro de 2012 às 16:08

Bonitas, vaidosas, inteligentes e delegadas. A região de Rio Preto tem representantes no seleto grupo de mulheres que combatem o crime sem perder a classe e a feminilidade. Fora do ambiente de trabalho, surpreendem quando dizem qual profissão exercem. No expediente, não abrem espaço para gracinhas, cantadas ou atitudes machistas, seja da bandidagem, seja dos colegas de trabalho. Em Sebastianópolis do Sul, a autoridade máxima policial tem um metro e oitenta, pesa 65 quilos e, na adolescência, pensava em ser modelo. Chegou a disputar e vencer o concurso de Miss Simpatia de Nhandeara, onde nasceu. Apesar do sobrenome intimidador, Karina Gonçalves Tirapeli, 35 anos, diz que, em geral, tem paciência e resolve os problemas na base da conversa. Karina afirma que sempre foi respeitada pelos criminosos, mas já teve de autuar uma mulher por desacato, quando trabalhava em Santo André. “No Interior é mais tranquilo.” Na mesma cidade, passou por uma situação constrangedora. Uma senhora queria falar com o delegado. Quando viu uma jovem mulher, e bonita, não acreditou e pediu prova. “Tive de mostrar minha identidade funcional. Muito sem graça ela respondeu: ‘Me desculpe, é que, com essa carinha...’ Naquele momento, eu compreendi que a população ainda via a figura do delegado como a de um homem, de terno e gravata, bigode, enfim, tudo, menos a minha.” O fato de ser mulher e jovem não chegou a causar preconceito, mas Karina notava diferença no tratamento. “No começo da carreira, sentia que as pessoas não tinham muita confiança em uma delegada, chegando a desconfiar se realmente eu exercia a função.” Nada disso, porém, impediu que ela seguisse a carreira, que é comum na família. “Sou filha de um investigador aposentado e tenho primo e tio delegados, sendo assim, cresci acompanhando o trabalho policial e me interessei pela carreira.”

Em Bálsamo, quem manda é a delegada Junia Cristina Macedo Veiga, 41 anos. Sem deixar que a vaidade atrapalhe. “Antes de ser delegada, sou mulher, portanto vaidosa. Passo cremes e gosto de perfumes.” Um metro e 54 centímetros e 49 quilos para cumprir com rigor o que manda a lei. “O respeito vem com a postura, não com o tamanho”, diz a baixinha durona.
No momento do atendimento ou de lidar com criminosos, já não causa mais surpresa ser mulher. “Nós já ocupamos os mais diversos cargos, o que não provoca mais espanto na população.” Em meio rodeado de policiais e investigadores homens, Junia faz questão de exaltar o respeito e parceria. “Acabamos por nos transformar em uma grande família.”
Para a delegada Margarete Franco, 46 anos, ser mulher em um ambiente repleto de homens nunca trouxe nenhum transtorno. “Alguns até estranham, mas existe respeito sempre.” Caso algum criminoso resolva bancar o engraçadinho, no entanto, pode se arrepender. “No ambiente de trabalho, sou profissional. Uma cantada, dependendo do contexto, pode ser considerada desacato.”
Segundo ela, no início da carreira as diferenças entre homem e mulher eram mais evidentes. “A visão tem mudado. Tanto que antes havia restrição no número de mulheres que podiam participar do concurso. Agora não tem mais.” Margarete Franco faz as unhas toda semana e vai ao cabeleireiro a cada 15 dias. Tem alimentação balanceada, toma bastante água e, quando possível, faz caminhada. Ainda neste ano, pretende voltar à academia. A profissão não diminuiu a feminilidade. “Sou vaidosa na média. Não exagero.”
Mesmo cuidado que a delegada Luciana de Almeida Carmo, 42 anos, tem. Ela diz que nunca planejou se tornar uma autoridade policial. Sem ninguém na família que ocupasse o cargo, tudo foi acontecendo naturalmente. “Abriu o concurso e foi uma oportunidade. Nada planejado.”

Aos 23 anos, já era delegada. Mesmo no início da carreira, não se lembra de ter sofrido preconceito ou gracejos de criminosos. Mas a surpresa quando deparam com uma mulher é inevitável. “Principalmente entre as mulheres. Algumas ficam contentes.” Casada há 10 anos, a profissão não atrapalhou a vida familiar, afirma.

A realização profissional pode interferir nas realizações pessoais, segundo Margarete. “Inibe a aproximação. A sociedade ainda é um pouco machista e os homens têm receio quando as mulheres têm autoridade. Isso não apenas na polícia, mas no Legislativo e no Judiciário também.”

Lado bom de ser mulher

Além de tornar mais agradável o atendimento em uma delegacia, as delegadas também se aproveitam da feminilidade para ajudar na resolução de alguns casos. A delegada Junia Cristina Macedo Veiga acredita que em todas as profissões o lado feminino pode auxiliar. “Para entender as deficiências emocionais, é preciso ter uma visão mais humana.”

O atendimento a outras mulheres, crianças e idosos é facilitado, segundo Junia. A delegada Margarete Franco atua na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e, com isso, pode compreender os casos em que atua. “A mulher é mais perspicaz nesse assunto e torna mais fácil a situação, que costuma ser constrangedora para as vítimas.”

(Bruno Ferro- Diário da Região)

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