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Álcool falso pode ter sido vendido a hospitais

Operação da Polícia Federal prendeu dono da fábrica em Catanduva

Publicado em: 24 de julho de 2020 às 08:22

Álcool falso pode ter sido vendido a hospitais
A fábrica clandestina de álcool líquido e em gel que foi descoberta ontem (23), em Catanduva, pode ter vendido os produtos para hospitais da região e de diferentes estados, segundo o delegado-chefe da Polícia Federal de São José do Rio Preto, Cristiano Pádua.

Ao todo, foram apreendidos cerca de 10 mil litros do produto adulterado, 1,9 mil frascos prontos e com rótulos para serem comercializados, 25 mil embalagens, documentos, maquinários e um caminhão-tanque. O responsável pela operação foi preso e permanece à disposição da Justiça.

“Pelo o que a gente entendeu, ele fornecia para o Brasil inteiro. E como é de uso hospitalar e estava constando nos frascos, certamente alguns hospitais receberam o produto que ele estava comercializando. Nós vamos fazer o levantamento, ver as notas fiscais. A partir disso, a Vigilância Sanitária notificará os estabelecimentos que receberam”, afirma.

O delegado ainda afirma que o galpão clandestino foi descoberto depois dos policiais receberem denúncia anônima, fazerem vigilância e constatarem que a informação divulgada era realmente verídica.

“Parecia que o galpão estava vazio, mas os policias persistiram e viram uma pessoa abrindo o portão. No outro dia, uma equipe compareceu novamente ao local. Algum tempo depois, um caminhão-tanque entrou. Nós pedimos o apoio e foi confirmado que estava sendo produzido álcool em gel de forma clandestina”, afirma.

O delegado conta que o proprietário do maquinário alegou que o álcool não era utilizado para higienização das mãos e que os produtos comercializados estavam totalmente fora dos padrões estipulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O Código Penal não diferencia. É um álcool saneante utilizado para a limpeza de superfícies. Obviamente que a gravidade é a mesma ou até maior. Em um ambiente hospitalar, se não é possível controlar a porcentagem do álcool 70º ou chance de fazer a limpeza correta, a possibilidade de haver uma infecção e contaminar vários pacientes é óbvia”.

Cristiano afirma que a produção era feita mais ou menos de forma artesanal, sem controle nenhum, colocando em risco não só as pessoas que o compravam, mas os trabalhadores que o manuseavam.

“Não havia laboratório no local para controlar a porcentagem do álcool em gel ou líquido. A Vigilância Sanitária constatou que, inclusive, a forma como estavam distribuídos os maquinários e o envase eram totalmente inadequados, um risco muito grande”.

“O caminhão-tanque era o mesmo utilizado para ser encaminhado aos postos de combustíveis. Um dos funcionários disse que, em algumas situações, precisava fazer um favor particular para o indivíduo que foi preso, e abastecia o carro particular com o combustível retirado do tonal”, complementa.

Ainda de acordo com o delegado-chefe, a quantidade produzida e comercializada era enorme. Inclusive, os rótulos eram totalmente falsos e as datas de fabricação inalteráveis.

“Não sabemos o valor exato ainda, mas cada caminhão era em torno de R$ 70 mil. Em algumas semanas, ele vendia até três caminhões. Ou seja, por semana, R$ 210 mil. O galpão é totalmente clandestino e nada regular, perante a Anvisa e Vigilância. Por ser álcool, produto altamente inflamável, o risco que existia era muito grande”.

Além do homem que foi preso por crime de falsificação de produtos com fins terapêuticos ou medicinais e dos produtos apreendidos, cinco funcionários foram encontrados na fábrica. No entanto, eles prestaram esclarecimentos e foram liberados, pois acreditavam que estavam trabalhando de forma regular, segundo informações da Polícia Federal.







(TVTEM/G1)

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