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Cuidados especiais com os idosos na pandemia

Sem algo para entreter, o idoso pode ser muito mais prejudicado

Publicado em: 14 de maio de 2020 às 18:21

Cuidados especiais com os idosos na pandemia
“É preciso diferenciar isolamento físico de isolamento emocional”, alerta a psicóloga Maria Aparecida (Tina) Zampieri, doutora em Ciências da Saúde e especialista em EMDR, do Ciclo de Mutação, de Rio Preto. Segundo ela, o total isolamento social apregoado para idosos, requer uma dose de atenção. Diante da divulgação de pesquisas que dão conta do aumento de casos de depressão em idosos, alguns, inclusive, chegando ao suicídio, como foi o recente caso do ator Flávio Migliaccio. Também, no Chile, esta realidade tem tomado contornos bem mais graves e já faz algum tempo.

No Brasil, desde o início do isolamento social, é sabido que todos estão expostos a todo tipo de más notícias, sobre mortes, e tudo o mais que se relaciona ao Covid-19. Sem algo para entreter, o idoso pode ser muito mais prejudicado. Daí, a recomendação para que se evite algumas radicalizações, em tempos de quarentena. Para a psicóloga, a exigência de isolamento social precisa ser dosada quando diz respeito ao convívio com idosos. Até porque há quem os tenha relegado ao mais completo esquecimento. E, na qualidade de avó e psicóloga que ela afirma: “As pessoas idosas são mais vulneráveis não apenas fisicamente, mas emocionalmente, também, e tendem a ter depressão e uma depressão severa pode levar ao suicídio, não é todo caso, mas pode ocorrer. Os familiares e pessoas mais próximas têm de criar situações que ajudem a quebrar esse distanciamento. Por exemplo, criando algumas situações como jogos e brincadeiras virtuais que incluam o idoso, as crianças, os filhos, os netos, enfim, manter o relacionamento, mesmo que de forma virtual, de modo a não deixar que se sintam abandonados. Há tanto que se fazer, como orações virtuais, transmitir fotos e vídeos", afirma Tina.

De fato, existem algumas formas de se estabelecer algum contato presencial, guardadas as medidas de segurança recomendadas pelas autoridades sanitárias. Quando os netos não são expostos a nenhum outro contato, por exemplo, é possível que interajam com seus avós, sem risco de contaminação. Desde claro, que todos estejam guardando o isolamento recomendado. "Meus netos, por exemplo, filhos da minha filha consigo vê-los, pois eles têm vindo apenas na casa dos avós. Já minha neta, não podemos ter contato, pois minha nora trabalha em hospital e por isto, devemos nos resguardar. Por isto, quebramos o isolamento físico, fazendo brincadeiras virtuais, assim vamos diminuindo a saudade", diz a psicóloga.

Pontes afetivas

Em todos os casos, a rotina no dia a dia é algo saudável para manter as relações, e o fato de não se sair de casa, pode ser um desafio, no caso de quem tem crianças. Contudo, com um pouco de boa vontade e sabedoria em vez de se sentir exauridos há que se fazer um bom uso da nova rotina, em que a convivência é muito mais intensa ao lado dos filhos. Se por um lado é estressante, pode ser a oportunidade de se estimular a criatividade. Uma vez, que ao brincarem juntos, terão momentos marcantes para o futuro. Quem relata sua experiência neste sentido, é a mãe e psicóloga Marina Zampieri, que reconhece ser necessária “um mínimo de rotina, para que as crianças não fiquem perdidas. Além de muitas atividades lúdicas, baixar as expectativas e padrões com relação à rendimento, organização da casa, flexibilização das "bagunças", e muita brincadeira”, diz. Seu irmão, o psicólogo Alexandre Zampieri, “pai de uma pequena de um ano, reconhece ser a rotina algo importante! Acredito que tem altos e baixos, mas no final vamos sentir falta de estarmos juntos”, diz.

A psicóloga Tina Zampieri reforça que no caso de crianças um pouco maiores ou adolescentes o ideal é cultivar pequenos momentos em que os avós possam contar algum fato vivido por eles, em que eles estavam envolvidos. Lembrar situações agradáveis em que os netos ainda eram pequenos e da própria infância dos avós, que sejam desconhecidos deles. É uma de trocar afeto e lembranças. “Essa é uma ponte no tempo que fortalece o senso de pertencimento, muito importante para a saúde emocional”, conclui.

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