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Aumentam os casos de câncer de pele

Crescimento dos diagnósticos em dez anos e concentração da rede especializada ampliam o desafio do diagnóstico precoce

Publicado em: 20 de abril de 2026 às 17:05

Aumentam os casos de câncer de pele
O avanço do câncer de pele no Brasil tem recolocado em evidência um problema que vai além da prevenção individual: a desigualdade no acesso à rede especializada. Enquanto os diagnósticos da doença cresceram de forma expressiva na última década, especialistas e centros de atendimento continuam concentrados em poucos estados, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste.

Levantamento repercutido nacionalmente com base em dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia aponta que os registros de câncer de pele passaram de 4.237, em 2014, para 72.728, em 2024. No mesmo cenário, os estados do Sul e do Sudeste seguem entre os que concentram as maiores taxas da doença, com destaque para Santa Catarina e Espírito Santo, enquanto Rondônia aparece como ponto fora dessa curva regional.

O desequilíbrio não está apenas no mapa da incidência, mas também na distribuição da assistência. Dados recentes de demografia médica mostram que a maior parte dos especialistas do país segue concentrada no Sudeste, o que ajuda a explicar por que o acesso a avaliação qualificada ainda é mais difícil fora dos grandes polos. Em oncologia cutânea, isso pode significar atraso no reconhecimento de lesões suspeitas, biópsias feitas mais tarde e tumores tratados em estágios mais avançados.

Para o dermatologista Dr. Matheus Rocha, o problema exige uma leitura mais ampla do que a ideia de câncer de pele como uma doença apenas ligada à exposição solar. “Quando a gente fala em câncer de pele, não está falando só de prevenção, mas também de capacidade de resposta do sistema. Se o diagnóstico demora a acontecer ou o paciente tem dificuldade para chegar a um especialista, isso muda completamente o desfecho”, afirma.

Segundo ele, o impacto da desigualdade aparece justamente nos casos que chegam mais tarde ao consultório ou ao centro de referência. “Muitas lesões começam de forma discreta, como uma ferida que não cicatriza, uma crosta persistente, uma mancha que muda devagar. Quando esse paciente demora a ser avaliado, a doença pode exigir procedimentos maiores e trazer mais morbidade.”

A concentração dos serviços especializados também entra nessa conta. Estados com maior número de centros habilitados e maior densidade de especialistas conseguem absorver melhor a demanda por investigação e tratamento. Fora desses eixos, o percurso entre perceber a lesão, conseguir consulta e iniciar a conduta adequada tende a ser mais longo.

No caso do câncer de pele, esse atraso tem peso especial porque o diagnóstico precoce costuma ser determinante para abordagens menos invasivas. Embora o câncer de pele não melanoma seja, em geral, menos agressivo do que o melanoma, ele pode causar destruição local importante quando não tratado a tempo. Já o melanoma, embora menos frequente, concentra maior risco de disseminação e mortalidade.

Para o Dr. Matheus Rocha, esse cenário reforça a importância de ampliar a formação médica voltada ao reconhecimento de tumores cutâneos e à cirurgia dermatológica. “O olhar treinado faz diferença quando a lesão parece banal. Em câncer de pele, identificar cedo pode significar uma cirurgia menor, menos impacto funcional e melhor prognóstico.”

Ele ressalta que o debate não envolve apenas o número absoluto de médicos, mas a distribuição desses profissionais e a qualificação para lidar com doenças de alta prevalência. “O Brasil convive com uma carga muito alta de câncer de pele. Isso exige mais do que campanhas de conscientização; exige acesso real, preparo técnico e capacidade de diagnóstico em diferentes regiões do país”, diz.

A pressão sobre a rede tende a crescer diante da incidência elevada da doença. Estimativas oficiais indicam que o câncer de pele não melanoma continua sendo o tumor maligno mais frequente no Brasil, com previsão de 263 mil novos casos por ano no triênio de 2026 a 2028. Em um país de clima tropical, forte exposição solar ocupacional e desigualdade regional no acesso à saúde, o mapa da doença acaba refletindo também o mapa da assistência.

Nesse contexto, especialistas defendem que discutir o câncer de pele no Brasil significa discutir não apenas proteção solar, mas também estrutura de atendimento, distribuição de profissionais e diagnóstico precoce fora dos grandes centros. Para Rocha, esse é o ponto central. “Não basta saber que os casos estão aumentando. É preciso olhar para onde esses pacientes estão e quem está preparado para atendê-los.”

Sobre o Dr. Matheus Rocha

dermatologista com atuação em cirurgia dermatológica e tratamento do câncer de pele. Dedica sua prática clínica ao diagnóstico precoce, planejamento cirúrgico e manejo de tumores cutâneos, com foco em dermato-oncologia. Além do atendimento a pacientes, atua na formação de médicos e cirurgiões dermatológicos, contribuindo para a ampliação do diagnóstico adequado da doença. Parte de sua atuação inclui atendimento gratuito a pessoas com câncer de pele que não possuem condições financeiras ou que não conseguem aguardar a fila do sistema público de saúde.

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